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Menor bebê do Brasil vai para casa.
Arthur, que nasceu com 385gramas, recebe alta.

(RJ, Sexta-feira, 8 de dezembro de 2006 - Jornal Extra, Selma Schmidt)

O pequeno Arthur, o menor bebê nascido vivo no Brasil, vai passar o Natal em casa, na Zona Norte do Rio. Antes do prazo previsto inicialmente pela equipe médica da Perinatal, de 180 dias, o menino teve alta ontem , quatro meses e três dias depois de seu nascimento. Ele deixou a clínica de Laranjeiras com 2 quilos e 110 gramas, peso quase seis vezes superior ao que tinha quando nasceu (385 gramas), com 25 semanas de gestação. No dia 7 de agosto, Arthur chegou a pesar 285 gramas e a quantidade de sangue que tinha (22,5 ml) cabia em metade de uma xícara de café.
- Foi um susto quando ele nasceu. Mas, mesmo sendo magrinho, ele era perfeitinho, a criança mais linda do mundo. Em nenhum momento, tive dúvida que meu filho fosse sobreviver - disse ontem a mãe de Arthur, uma fisioterapeuta de 29 anos.

Um aprendizado

Mas, no início, os médicos não estavam tão otimistas:
- Começamos a cuidar do Arthur empolgados, mas com uma visão realista. Foi um aprendizado. Nunca tínhamos lidado com um bebê tão pequeno. Mas ele demonstrou que é um guerreiro. Os últimos exames mostraram que o bebê teve desenvolvimentos neurológico e cognitivo normais. Ele tem tudo para ter uma vida normal - afirmou o pediatra Manoel de Carvalho, diretor da Perinatal.

Pré-natal foi importante para família

O obstetra Paulo Gallo identificou, numa consulta de rotina, que a mãe estava com a pressão alta (21 por 16) e muito inchada, e que o bebê não tinha crescido em relação ao mês anterior. Eram sinais de pré-eclampsia, doença que pode matar a criança. A mãe foi internada e, no dia seguinte, a equipe médica optou por fazer uma cesariana.
- Isso mostra a importância do acompanhamento pré-natal - observou Gallo
Nos meses que passou internado, o pequeno Arthur teve que fazer 201 exames de sangue e venceu nada menos que 86 problemas. Entre eles, anemia (o que o obrigou a fazer quatro transfusões de sangue), apnéias (paradas respiratórias), hipoglicemia e distensão abdominal. O pai de Arthur, um representante comercial de 33 anos, dividia o seu tempo entre o trabalho e o hospital. Pai coruja, chegou a fazer um carimbo com o pezinho de Arthur.
- Sempre tive muita fé em Deus de que meu filho sobreviveria. Recebemos também o apoio de muita gente e quero agradecer.